A arte de Ai Weiwei, prisioneiro do governo chinês, no Prosa

Weiwei

Na segunda-feira será inaugurada em Nova York a instalação “Zodiac Heads/Circle of Animals”, do artista chinês Ai Weiwei, um dos principais nomes da arte contemporânea mundial, que no momento tem outra exposição gigante em cartaz na Tate Modern, em Londres. Nada leva a crer, porém, que Ai Weiwei estará presente à inauguração em NY: crítico contundente do governo de seu país, ele foi preso dia 3 em Pequim, sob a alegação de que está sendo investigado por “suspeita de crimes financeiros”, e desde então as autoridades chinesas não divulgaram qualquer informação sobre o caso. A prisão gerou uma onda de protestos em diversos países, além de artigos como os do escritor Salman Rushdie que, em editorial no “New York Times”, lembrou que “o governo da China tornou-se a maior ameaça à liberdade de expressão do mundo”. Na reportagem de capa do Prosa, feita especialmente para o GLOBO por Rony Maltz, jornalista que vive em Nova York, críticos e curadores falam sobre o significado e as consequências, para a democracia e para arte, de prisões como a de Weiwei, que já exibiu “Zodiac Heads” na Bienal de Artes de São Paulo em 2010.

Outro destaque da edição é a página “Risco”, que está completando um ano em abril. Dedicada à poesia brasileira contemporânea, a página terá novidades em seu segundo ano, como avisa Carlito Azevedo, o curador do espaço. Além de continuar a apresentar novos autores, o objetivo é também buscar a poesia em lugares aparentemente inusitados, como no trecho de uma entrevista de escritor de ficção científica, como lembra Carlito. A página deste sábado traz o primeiro destes flagrantes poéticos, o texto “Do uso da palavra”, pequeno ensaio do artista plástico Angelo Venosa sobre a ideia de opacidade. Venosa também é o autor da bela ilustração da página, que a cada edição vai mostrar o trabalho de um artista diferente.

“A crítica como exploração” é o nome do artigo da pesquisadora Giovanna Dealtry sobre outro artigo, “A hipótese da crise”, assinado pelo crítico Alcir Pécora e capa da edição passada do Prosa. Em seu texto, Giovanna questiona as restrições que Pécora fez à literatura contemporânea – ideias que começaram a ser expostas publicamente num debate no início do mês, no blog do Instituto Moreira Salles, e que foram ganhando grande repercussão ao longo das últimas semanas. O crítico José Castello também comenta o artigo de Pécora a partir da leitura de “Cantos do mundo” (Record), de Evando Nascimento.

A edição traz ainda uma matéria de Telio Navega sobre a HQ “Três sombras”, recém-lançada pela Companhia das Letras. O autor é Cyril Pedrosa, francês neto de portugueses, que conversou com Telio a respeito da história – inspirada na morte do filho de um casal de amigos – e do sonho de conhecer o Brasil, o que fará em novembro, como convidado do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte.

Nas resenhas, Ieda Tucherman escreve sobre “Antropologia do corpo e modernidade”, de David Le Bréton (Vozes).

Enviado por O Globo –
29.04.2011

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O ponto de partida de José Morais em A Arte de Ler é por a “mão à pena” para transfigurar o óbvio: o analfabetismo (incluindo iletrados funcionais) universal e a carência de metodologias de ensino de comprometimento, para então denotar em seu rico trabalho científico o enriquecimento, a humanização advindos da leitura.

Dicionarizando arte como um conjunto de meios, de processos regulados que tendem para um determinado fim, a autor tem como foco justamente o fim em si mesmo: a compreensão da leitura, de seus processos, e a partir de sua aquisição, elaborar métodos de ensino e técnicas de reeducação adequadas.

Passeando pelo subtítulo que aborda a leitura como problema social, experimentamos o dissabor de estatísticas que comprovam em grande número, ainda hoje, a exclusão, a marginalização social – até porque desenvolvimento econômico é condicionado pela possibilidade que tem o homem ativo de tratar a informação escrita de maneira eficaz.

Se tomarmos como base a potência Japão e sua escrita em caracteres, que consideramos de difícil aprendizagem de leitura, como entender o fato de ser determinante mundialmente sua capacidade econômica? Acredita-se estar a base de seu crescimento nas crianças, porque vivem rodeadas de livros, revistas e textos em geral destinados especificamente a elas, e porque os pais, que não necessariamente se ocupam muito delas, reforçam-lhe a curiosidade natural respondendo com muito gosto todas as perguntas a respeito dos caracteres.

No decorrer dos subtítulos, salta aos olhos a importância da leitura como inclusão, como aquilo que nos traz à consciência, ou formação dela, acerca, por exemplo, do pensamento político, este que nos situa na sociedade, que nos impele a decisões críticas. Decisões que nos exige dispor de um conjunto de informações, e de evocá-las, escrita ou oralmente. Esbarramos no fato de correlação intrínseca entre compreensão da escrita e da linguagem oral: esta deve ser boa, não deficiente, para que a leitura, sua compreensão também o seja.

Qual seria, pois, o melhor método de ensino de leitura? Segundo Morais, uma das formas relevantes é ter um grupo docente mais qualificado, vide iniciarem sua carreira profissional sem qualquer conhecimento das capacidades básicas, das razões de sua importância e da maneira como elas podem ser ensinadas. Outra forma seria a de uma política educativa, ou reeducativa e até mesmo preventiva, que não se limite à escolha de um método único para toda a classe, evitando, assim, uma seleção cultural-sócio-econômica.

Obviamente que os pais não ficam à deriva na importância do sucesso da leitura na criança principalmente, mas também nos nossos jovens ‘’deficientes’’ e nos já adultos. O papel daqueles não foge a falar com as crianças, fazê-las falar, colocá-las em situação de busca de conhecimentos, de tratamento da informação, de resolução de problemas, de avaliação crítica de ações e julgamentos, e sobretudo ler, ler, ler.

Temos em cena três atores para a aprendizagem da leitura: o protagonista aprendiz, os pais e a escola. Reconhecer cada qual seu papel é facilitar a aquisição de processos cognitivos implicados na arte de ler e garantir a liberdade de exercício dessa arte. Neste livro, com trabalho de natureza hercúlea, próprio de quem conhece bem o ofício, José Morais (de origem portuguesa, é professor da Faculdade de Ciências Psicológicas e da Educação, da Universidade de Bruxelas e colaborador regular em universidades americanas e brasileiras) aponta ser aquele reconhecimento a decisão que transforma o ser e a sociedade em que se vive, que humaniza, que prepara o homem a decidir e a enxergar que essa liberdade está para a democracia que todos podemos concretizar.

A Arte de Ler
Autor: José Morais
Editora: Unesp
Preço sugerido: R$ 45,00
Resenha: Ludmila Maurer

Imagem de Amostra do You Tube

O que  salta aos olhos é a importância da leitura como inclusão, como aquilo que nos traz à consciência, ou formação dela, acerca, por exemplo, do pensamento político, este que nos situa na sociedade, que nos impele a decisões críticas. Decisões que nos exige dispor de um conjunto de informações, e de evocá-las.

Ludmila

até isso um livro pode fazer

Até isso o livro pode fazer!